
Ser bem servido no Japão só é novidade para quem nunca lá esteve, mas mesmo para quem já foi lá mais do que uma vez ficará sempre surpreendido com a qualidade de serviço das estações de serviço nas auto-estradas japonesas.
Actualmente existem cerca de 900 estações de serviço e de parques de descanso junto às auto-estradas japonesas. O objectivo principal destas estações é providenciar uma condução segura nas estradas japonesas, oferecendo um local para descansarem, alimentarem-se e, claro está, cuidar do seu veículo.
Na preparação dos jogos olímpicos de Tokyo em 1964 foi encetada uma modernização do Japão pós-guerra que estava em pleno crescimento económico,.Foram construídos novos bairros com edifícios para acomodar a crescente população e os transportes também foram vistos como peça fundamental para esse crescimento económico, e foram também eles modernizados. Nasceram assim os Shinkansen inaugurados a tempo dos Jogos Olímpicos e, um ano antes, mais precisamente, em 16 de Julho de 1963 foi concluído o primeiro trecho da primeira autoestrada japonesa - Meishin express way - e que ligava Ritto in Shiga e Amagasaki in Hyogo com 71 km de comprimento. Essa autoestrada tinha também a primeira área de serviço, já que foi decidido que a distância máxima que se deveria conduzir em segurança sem descansar era de 50Km (daí os carros japoneses terem estipulado que a luz da reserva acenderia quando faltasse 50 km para acabar o combustível)
Nos tempos seguintes foram aparecendo muito mais auto-estradas e consequentemente áreas de serviço que eram públicas e geridas por Japan Highway Public Corporation. Este departamento estipulava que todas as estações fossem iguais nos preços das refeições bem como o sabor e até quantidades a servir. Por essa razão não havia muitos motivos para escolher uma estação em detrimento de outra já que todas ofereciam a mesma coisa.
Depois de privatizada em 2005 tornou-se uma concorrida corrida para atrair pessoas às areas de serviço. Hoje em dia é um negócio que vale mais de 600,000 milhões ienes anuais perfazendo mais de 2x do que uma famosa cadeia de cafés do Japão.
Existem de todos os tipos e com várias atrações ao ponto de muitas delas serem o destino da viagem e não uma paragem de descanso no caminho para algum destino.
Eis alguns exemplos:
Esta estação de serviço recria uma pequena rua de Edo do sec XVIII.
Foi construída por pessoas ligadas a estúdios de televisão e cinema e custou mais de 1.000 milhões de ienes. Foi baseada numa novela gráfica com o nome de Onihei Hankacho e servem o prato favorito do herói desta novela que é nem mais nem menos do que Unagi (enguia) para além de muitos outros pratos distintos,
Esta enorme estação rivaliza com centros comerciais e a principal atração é o Melon bread (pão de melão feito com o sumo de melão) e existem 10 variedades diferentes e chegam-se a fazer 5000 pães por dia.
Esta estação é basicamente um enorme aquário com muitas espécies marinhas e anfíbias que caracterizam a zona como as lontras.
Tem como principal atração uma roda gigante com vista para o monte Fuji.
E para acabar este rol de exemplos destaco as duas que talvez sejam das mais visitadas, uma pelo papel histórico e cultural e outra pelo papel lúdico e social:
É a que se destaca pela primeira razão já que está muito perto do campo onde se deu a batalha de Nagashino no séc. XVI entre Oda Nobunaga e Tokugawa Ieyasu contra Takeda Katsuyori.
Esta batalha foi uma das primeiras que decidiram a unificação do Japão.
Esta estação tem o nome de Nagashino e para além de ter um pequeno museu no interior com armas da época tem também à venda espadas e armaduras bem como mosquetes e é decorada com o brasão do Oda Nobunaga.
Tem a estação que se destaca pela segunda razão. Ela é a terceira maior atração do Japão a seguir à Tokyo Disney Resort e à Universal Studios Japan com cerca de 8.5 milhões visitantes por ano. O seu nome é Kariya Highway Oasis.
Ela tem um papel lúdico porque tem um parque de diversões para crianças com carroceis, Go kart e até uma roda gigante com preços simbólicos que vão dos 50 a 100 ienes por volta e para adultos tem Onsen (termas vulcânicas) e até Spa.
Mas o papel social revela-se na integração com as vilas e cidades ao arredor, isto porque tem um parque de estacionamento para quem vem da auto-estrada mas também tem um segundo parque separado para os locais terem acesso aos serviços já mencionados mas também um mercado com produtos frescos todos os dias que rivalizam com os maiores mercados do Japão, até mesmo Toyosu em variedade de peixes que por vezes não se encontram lá. E mais importante servem um papel crucial ao dar trabalho a locais com mais de 65 anos ajudando-os a combater a solidão e as dificuldades financeiras.
A privatização gerou esta variedade e melhorou muito as condições das estações nomeadamente num dos serviços que a maioria usa que são as casa de banho. Recentemente há uma grande aposta em remodelar as casa de banho indo desde as Deluxe, que apresentam condições dignas de casas luxuosas até às mais modernas como a de Ebinu service area que detecta objectos esquecidos nas casa de banho. Quando a porta abre-se ela avisa caso tenhamos deixado algo para trás e também avisa se alguém caiu e possa estar inconsciente la dentro.
Também tem uma tela digital que faz perguntas em 1 minuto e avalia o nível de cansaço do condutor ajudado por um sensor do ritmo cardíaco no tecto. Tudo em prol de uma condução segura.
Mas há um lado negro da privatização: algumas estações não conseguiram competir com as melhores e foram forçadas a fechar o que levantou um problema da continuidade de estações de 50 em 50 Km. Uma vez que é privatizado o governo nada podia fazer mas a consciência colectiva do povo japonês reflecte-se em pequenas coisas como por exemplo pondo a segurança em frente ao lucro. E foi isso que a gestora das auto-estradas no Japão fez, ao permitir sair da autoestrada e voltar a entrar sem pagar extra taxa desde que não o intervalo de tempo não seja superior a 2 horas, para que possam encher o depósito de gasolina numas localidades nos arredores da Autoestrada como em Gunma. Este serviço revelou-se um sucesso também na revitalização de pequenos negócios que aumentam em cerca de 100 milhões de iene de uma no para o outro as vendas.
Voltando às coisas positivas que as estações permitem é também providenciar uma base em caso de operações de emergência ou de serviço médico na eventualidade de desastres naturais devido ao tamanho dos parques de estacionamento e da suas estruturas fortes.
Ou seja apesar de o Japão ser um país em que o meio de transporte privilegiado é sem dúvida os comboios, devido à sua geografia muito montanhosa, existem muitos locais que não são acessíveis por este meio de transporte, dando a oportunidade a quem possa deslocar-se de carro ver vilas e paisagens que de outra maneira seriam mais difíceis de conhecer. E como vimos muitas dessas atrações são as próprias estações de serviço.
Resumindo: para ter um bom serviço no Japão é só preciso fazer-se à estrada.
Japão fez história ao dar mais um passo na igualdade de oportunidades entre homens e mulheres, desfazendo aos poucos a ideia de sociedade machista japonesa.
Apesar de o Japão ser um país em que o meio de transporte privilegiado é sem dúvida os comboios, devido à sua geografia muito montanhosa, existem muitos locais que não são acessíveis por este meio de transporte, dando a oportunidade a quem possa deslocar-se de carro ver vilas e paisagens que de outra maneira seriam mais difíceis de conhecer. Se quer saber porque é que as atrações são as próprias estações de serviço carregue no botão.
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Uma bebida que merece um brinde por ter sido, justamente, reconhecida pela Unesco como património cultural imaterial da Humanidade.
Neste vídeo faço um apanhado da segunda parte de Tokyo há 20 anos. Demorou um pouco mais do que esperava mas não queria deixar de publicar antes da minha próxima viagem ao Japão. Posteriormente farei um video comparativo com o Japão 20 anos depois, mas agora viajem ao passado e divirtam-se.